[Vídeo] A música de videogame e sua evolução através dos anos – Parte II

Oi, pessoal!

Hoje vamos continuar conhecendo um pouco sobre a história da música de videogame. Essa é a segunda (e última) parte do texto, então se você ainda não viu a primeira parte é só clicar aqui!

E para fechar essa série, uma das minhas músicas preferidas do Final Fantasy VI!

A música de videogame e sua evolução através dos anos – Parte II

A preocupação com a qualidade sonora nos anos 80 era tamanha que alguns cartuchos do console vinham com chips geradores de sons adicionais, uma modificação que aumentava o custo de fabricação do produto. Também era grande o interesse do público pelas músicas, sendo que em 1984 foi lançado no Japão o primeiro álbum de música de videogame com trilhas originais de jogos como Pole Position, Pac Man e outros. No mesmo ano também foi lançado um K7 e um LP intitulados Video Game Music com várias faixas originais de diversos jogos [1]. Dois anos depois houve um verdadeiro boom de lançamento de álbuns de música de videogame. Em 1986 surgiu a Game Music Organization, um selo dedicado exclusivamente a lançar CDs com música de games, e foram lançados dezenas de álbuns tanto com músicas originais quanto arranjadas de vários jogos. Já no ano seguinte aconteceu o primeiro concerto de música de videogame no Japão, organizado pelo compositor Koichi Sugiyama [2].

Conforme a tecnologia avançava, também os consoles desenvolviam a qualidade de gráficos e de som. Porém o sucesso dos jogos e consoles nem sempre estavam relacionados à qualidade sonora oferecida. Em 1988 foi lançado o Sega Mega Drive, com dez canais de som em estéreo, sendo um para sons digitais, que mesmo tendo grandes melhorias nos gráficos e na capacidade sonora não foi capaz de destronar o popular NES. A evolução tecnológica no som só foi ser mais fortemente percebida nos consoles com o lançamento de outro videogame da Nintendo em 1990, o Super Nintendo Entertainment System, ou SNES. O console tinha chip de som com oito canais de sons digitais que reproduziam em uma resolução de até 16-bit. Isso permitiu tanto uma maior sofisticação da composição das músicas quanto da qualidade acústica dos sons, porém com a desvantagem do seu custo. Alguns exemplos desses jogos são: Castlevania IV, Final Fantasy IV, Star Fox e Chrono Trigger.

Um desenvolvimento ainda maior veio com o advento do CD, que permitia maior liberdade de criação para os compositores. Portanto, em 1994 o Playstation foi lançado pela empresa Sony com um drive de CD, chip de 24 canais de som estéreo de alta qualidade e suportava efeitos como reverb. O jogo Final Fantasy VII saiu em 1997, para Playstation, e apresentou uma trilha sonora bastante impressionante para a época graças a seus efeitos digitais. A popularização das mídias ópticas colaborou para o surgimento de hardwares de áudio com muito mais potência do que os anteriores, além de resolver o problema de espaço de memória reservado para o áudio. Com isso, a música desses jogos gravados em CDs podia ser consideravelmente mais elaborada do que as dos jogos que ainda eram de cartucho, como, por exemplo, do Nintendo 64, lançado dois anos depois. Mesmo assim, muitos jogos ainda usavam música sequenciada (como o MIDI).

O Nintendo 64, mesmo contando com 100 canais, suporte a formato PCM [3], efeitos especiais e 64-bit, ainda tinha menor qualidade de sons que o Playstation por usar cartuchos. De qualquer forma, o console também fez muito sucesso e um dos seus jogos mais famosos, The Legend of Zelda – Ocarina of Time, usava o fazer musical do jogador como parte do jogo. Em vários momentos do jogo o personagem principal, Link, precisava tocar uma ocarina que tinha poderes como mudar o dia para noite, fazer chover, abrir portões, se teleportar, entre outros. O jogador aprendia quais botões deveria pressionar para realizar os sons necessários, tudo isso sobreposto a uma pequena partitura com clave de sol. A música nos videgames não era mais apenas fundo sonoro, era algo levado bem a sério e fazia parte da jogabilidade.

Nessa época também algumas empresas já faziam uso de músicas pré-gravadas para inserir nos games; eles chamavam bandas de pop/rock ou até mesmo orquestras para gravar. A música gravada tem a grande vantagem sobre a música sequenciada, pois possibilita o uso de qualquer tipo ou número de instrumentos que o criador desejar, além do fato da qualidade sonora ser praticamente a mesma de qualquer outra fonte sonora. Alguns anos para frente, em 2001 a Microsoft lança seu primeiro console, o Xbox, com 64 canais 3D e Dolby Digital 5.1 [4]. Foi o último console que apresentou uma inovação significativa de como a música seria feita e reproduzida pelo videogame. Seus sucessores, o Xbox 360 e o Xbox One, além dos seus concorrentes Playstation 3, Playstation 4, Wii e WiiU possuem praticamente as mesmas especificações de áudio [5].

Porém, o que não parou de desenvolver foi a música de videogame fora do âmbito dos jogos. Isso já era bastante popular no Japão, com vários álbuns lançados e shows no país, mas foi em 2003 que pela primeira vez foi executado música de videogame fora do país. A Orquestra Nacional Tcheca tocou músicas de jogos como Final Fantasy e The Legendo f Zelda na abertura de uma feira de videogames na Europa chamado GC Games Convention [6]. Desde então, pessoas e grupos musicais se especializaram em tocar música de videogame nos mais diversos instrumentos, seja no seja no youtube, ao vivo ou lançando CDs, muitas vezes fazendo arranjos elaborados, medleys ou improvisações sobre as músicas originais [7]. Um dos exemplos é o youtuber norte-americano Max Gleason, conhecido no youtube pelo nome Smooth McGroove. O canal, que tem mais de 1 milhão de seguidores, conta com vários vídeos nos quais ele canta arranjos a capella de músicas de jogos de todas as épocas e consoles. Já em relação a shows, em 2005 foi criado o Video Game Live, que de acordo com o site oficial: “É um evento com conceito de imersão que reúne o mundo da música dos games mais populares com a presença ao vivo de orquestra de sinfônica, coro, solistas, vídeos exclusivos, arranjos musicais, iluminação sincronizada, percussionistas eletrônicos, ação ao vivo e momentos reais de interação, fantasia e entretenimento explosivo” [8].  Também em março desse ano, em São Paulo, aconteceu um evento chamado Piano Opera from Final Fantasy, no qual músicas do jogo foram tocadas no piano por um dos compositores da trilha original – o concerto teve os ingressos esgotados rapidamente [9].

Também nas décadas de 80 e 90 tiveram sucesso tendências musicais como o chiptune, que é um som produzido por chips de videogames ou computadores antigos, que têm o mesmo som característico de consoles 8-bit [10]. Esses são apenas alguns dos muitos exemplos de pessoas, bandas e orquestras se envolvem de alguma forma com essa música que se tornou um gênero bastante influente e que faz muito sucesso até hoje.

Referências

[1] SCHÄFER, Camila. História da game music. Acessado em 23/11/2016

[2] SCHÄFER, Camila. História da game music. Acessado em 23/11/2016

[3] Uma forma de armazenamento de áudio de boa qualidade, desenvolvido na década de 70.

[4] SCHÄFER, Camila. História da game music. Acessado em 23/11/2016

[5] SCHÄFER, Camila. História da game music. Acessado em 23/11/2016

[6] SCHÄFER, Camila. História da game music. Acessado em 23/11/2016

[7] MUN, Raphael. Video Game Music and its effects on society. Acessado em 23/11/2016

[8] Site oficial Video Games Live. Acessado em 23/11/2016

[9] BARROS, Alexei. Piano Opera music from Final Fantasy 2016: Bravo! A incrível passagem de Nobuo Uematsu pelo Brasil. Acessado em 23/11/2016

[10] SHÄFER, Camila. Você conhece o chiptune?. Acessado em 23/11/2016

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